De volta

De volta ao blog, dois anos depois. No último post publicado, o assunto era a chegada de Laís. No próximo mês ela já faz dois anos. Já fala tudo e se prepara para ir a escola. E agora existe também o Miguel, com sete meses, que começa a engatinhar. A família cresceu, a responsabilidade aumentou. Acompanhar cada dia do desenvolvimento deles preenche qualquer espaço vazio. E venho descobrindo que educar é se educar.

Nove meses

Minha filha vem chegando. São nove meses de espera. Até parece mais, graças à nossa capacidade de perceber o tempo subjetivamente. São mais ou menos 270 dias para pensar no milagre da vida e sentir o acomodar suave das gotas de sereno que caem sobre o terreno acidentado do existir.

Incursão

Andei por oito estados do Brasil nos últimos três meses. Agora essa jornada chega ao fim. Nunca imaginei que conheceria lugares como Parnaíba, no litoral do Piauí; Quixeramobim, no sertão do Ceará. Em Brasiléia, na fronteira com a Bolívia, bebi hoasca numa noite inesquecível. Estive também na Amazônia peruana. Cheguei perto de Macchu Picchu, mas não pude ir. O tempo era curto. Em Cuiabá, no Mato Grosso, estava no olho do furacão. Confirmei a suspeita de que Teresina é um forno a céu aberto.  E eu que nem esperava trabalhar nessa campanha política, quanto mais para Presidente da República, ganhei experiência e milhagem. Foi também uma incursão nos bastidores da política, o campo minado das boas intenções.

Argentina
Escrevo de Buenos Aires, onde aproveito merecidas ferias. Na segunda feira, daqui a tres dias, vou a peninsula Valdes, na Patagonia. Sentir se estrangeiro eh bom, dah uma sensaccao de liberdade. Viajo sozinho e estou encantado com esta cidade enorme e organizada, pelo menos na parte mais sofisticada dela, onde estou hospedado, na casa de Vivian, minha grande amiga de muitos anos. Tambem revi por aqui minha prima Genara, que veio fazer residencia em um hospital psiquiatrico. Tenho refletido sobre a importancia dos amigos. Hoje os comparo, e sao muitos, com as flores do jardim.
Vislumbres da Índia

Octavio Paz nasceu em 1914. Foi embaixador do México em vários países. Ganhou o Nobel da Literatura em 1990 e em 1998 partiu. Caiu em minhas mãos o livro "Vislumbres da Índia" . Renata comprou, leu, gostou e me passou. Foi escrito nos anos 90 sobre as impressões de Paz acerca do continente indiano,onde, segundo ele florescem duas civilizações: a hindu e a islâmica. Com a habilidade de dizer muito de uma maneira sintética e simples, ele passeia pela política, religião, gastronomia e artes da Índia para que o leitor entenda como se trata de um continente à parte, fragmentado e baseado na fé no além-mundo. Em certo momento ele compara o hinduísmo a uma grande jibóia metafísica que vai engloindo (assimilando) práticas e crenças religiosas heterodoxas pelo caminho. Exercitando um olhar latino-americano ele traça paralelos entre as colonizações da América Latina e a maneira como a Índia aderiu a um  projeto de nação e modernidade a partir da colonização inglesa.  Para completar o pacote, hoje fiz uma aula forte de ashtanga yoga. Acho que amanhã vou lembrar o tempo inteiro dessa aula.

Sujeira e campanhas

Escrevi isso em outubro de 2004, durante a última campanha para prefeito de Salvador. Hoje, leio de novo, e acho que tive uma premonição:

"Campanha política me irrita sobremaneira. Em todas as fotos dos cartazes, os candidatos a mandatos públicos têm semblantes de justos e serenos. Todos são amigáveis e acessíveis às vistas da massa, e estampam sinceros sorrisos retocados pelo Photoshop. É o inferno das boas intenções. Aqui em Salvador, onde grassa uma certa tendência irresistível ao voto equivocado (para não dizer de cabresto urbano), determinado candidato a prefeito já prometeu legalizar todas as habitações irregulares desta cidade onde vagam 2 milhões e 600 mil almas. Quem conhece a capital da Bahia sabe que acenar com tal possibilidade é o mesmo que vender a propriedade da Lua. Outro candidato contratou 96 pessoas para fazer os programas de rádio e televisão. Sob um certo aspecto, é dinheiro e emprego para técnicos, operadores de equipamento, publicitários e "jornalistas" . Mas serve também como indicativo do tamanho da concentração de renda neste país. Dinheiro, neste caso, aplicado pura e simplesmente em persuasão do eleitoral, porque a campanha nos moldes em que se apresenta nada mais é do que propaganda deslavada, no sentido mais maquiavélico da palavra propaganda. Outro pretendente ao cargo de prefeito foi desmascarado ao produzir uma fila de madrugada em frente a um posto de saúde. Descobriu-se depois que até um boneco foi usado como se fosse o bebê de uma suposta paciente a penar na espera por uma consulta. Só nutro uma certa simpatia pelos candidatos à Câmara de Vereadores, visivelmente ignorantes e manipulados,que vão às câmeras e não conseguem esconder o nervosismo ao ler o teleprompter. Não merecem o voto, claro, mas pelo menos expõem a nudez da ignorância e não o véu da hipocrisia dos letrados. Para mim a campanha ideal teria cada candidato frente-a-frente a uma câmera ou a um microfone de rádio e nada mais. Seria muito enfadonho, mas honesto e transparente. Sem doleiros, banqueiros e narcotraficantes a utilizar o arcabouço democrático da sociedade para lavar dinheiro em campanhas milionárias que procuram vender aspirações de uma vida melhor como se fosse sabão em pó".

Sandálias da humildade


Tenho refletido sobre a importância da humildade. Não é fácil reconhecer que somos falíveis, contraditórios e inconstantes. Mas se essa constatação gera frustração, por outro lado traz alívio, quando levamos em conta de que nem sempre estamos aptos a corresponder com tudo o que nos cobram  e fazer frente às nossas próprias expectativas. Sabemos muito pouco da vida e o que sabemos não permite que julguemos. Afinal, vistos de longe, do alto, não passamos de fagulhas de vida no universo. Penso nisso a cada vez que viajo de avião e imagino como seria ouvir o silêncio abafado pelo ruído da turbina. Por um bom tempo pensei que a sofisticação intelectual e as palavras complicadas eram sinais de evolução. Hoje cada  vez mais concordo com Shakespeare: “a vida é cheia de som e fúria”. Barulheira capaz de abafar o som da essência, as batidas do coração. Aí a complicação é inevitável. Ontem conheci um casal que acolheu em casa um bebê de 20 dias deixado em uma caixa de sapatos em frente a um supermercado. Pretendem adotar a criança. A mãe adotiva, uma médica bem sucedida, nunca tinha tido filhos. Revelou que está percebendo o quanto o cuidado, o toque, a preocupação com um ser tão frágil é essencial.

-Ele faz mais bem a nós do que nós estamos fazendo a ela – exagera ela, sem se dar conta talvez que só sabe o tamanho do bem quem o recebe. São lições simples, como flores no caminho de quem tenta caminhar até o palácio da humildade.

-Melhor que mereço, dizia meu pai quando perguntavam como ele estava. Hoje compreendo a força dessa resposta.

Estou ouvindo “Chamamé para mi viejo”, de Luis Salinas. A foto foi mandada por Alice Ramos, minha mais nova amiga e fotógrafa de olho à flor da pele. Esta não foi feita por ela, mas bem poderia ter sido.

De um mestre chamado Samael

 



“A ira aniquila a capacidade de pensar e de resolver os problemas que a originam.
Obviamente, a ira é uma emoção negativa.
O enfrentamento de duas emoções negativas de ira não consegue paz nem compreensão criadora.

Inquestionavelmente, sempre que projetamos a ira a outro ser humano, produz-se a derrubada de nossa própria imagem e isto nunca é conveniente no mundo das inter-relações.
Os diversos processos da ira conduzem o ser humano para horríveis fracassos sociais, econômicos e psicológicos.
É claro que a saúde também é afetada pela ira.
Existem certos néscios que se aproveitam da ira, já que esta lhes dá um certo ar de superioridade. Nestes casos a ira combina-se com o orgulho.
A ira também costuma se combinar com a presunção e até com a auto-suficiência. A bondade é uma força muito mais esmagadora que a ira.

Uma discussão colérica é tão somente uma excitação carente de convicção.
Ao enfrentarmos a ira, devemos resolver-nos, devemos decidir-nos, pelo tipo de emoção que mais nos convém.
A bondade e a compreensão resultam melhores que a ira. Bondade e compreensão são emoções permanentes, posto que podem vencer a ira.
Quem se deixa controlar pela ira destrói sua própria imagem. O homem que tem um completo autocontrole, sempre estará no cimo.

A frustração, o medo, a dúvida e a culpa originam os processos da ira.
Frustração, medo, duvida e culpabilidade produz a ira. Quem se libertar destas quatro emoções negativas dominará o mundo.
Aceitar paixões negativas é algo que vai contra o auto-respeito.
A ira pertence aos loucos. Não serve porque leva à violência. O fim da ira é levar-nos à violência e esta produz mais violência.”

Guimarães



"Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar - é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo. (...) Deus existe mesmo quando não há. (...) Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele a gente tudo vendo."


Riobaldo Tatarana, em Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa

Ouvindo "Tons", com Adriana Calcanhoto, do CD Senhas.
Rever e enxergar

Experiência interessante para mim tem sido assisitir de novo a filmes vistos há muito tempo. "Muito Além do Jardim" é de 1979 e eu já assistido a ele quando adolescente, numa dessas sessões corujas da TV. Peter Sellers, magnífico ator inglês interpreta um jardineiro que passa a vida enclausurado em uma casa, sem identidade, sem vida social. A única janela para o mundo é a televisão. Quando morre o dono da casa em que ele vive, Chance (esse é o nome do jardineiro) é obrigado a se lançar num mundo urbano que jamais tinha visto. Acaba sendo atropelado, e é socorrido pela mulher que o atropela, interpretada por Shirley MacLaine, que o leva para casa, uma mansão onde vive com o marido, um multimilionário doente em estado terminal. Chance conquista a família com uma simplicidade comovente de quem não sabe ler e escrever e entende tão somente de plantas e seus ciclos de vida. Acaba se tornando conselheiro do presidente da república e celebridade nacional. Vou encerrando a descrição do filme por aqui, pois espero que os leitores possam vê-lo para que tirem suas proprias conclusões. O fato é que quando vi o filme pela primeira vez, entendi e interpretei de uma maneira. Hoje, passados muitos anos e experiências variadas compreendi o filme numa dimensão muito maior, espiritual, que é o verdadeiro propósito do filme. Outro exemplo: revi por acaso esses dias na canadense TV5 o filme "Dona Flor e seus dois maridos", baseado na obra de Jorge Amado, com José Wilker e Sônia Braga. A história se passa em Salvador, em lugares que sequer eu sonhava conhecer quando o vi pela primeira vez. Hoje já passei por todas as locações do filme e isso deu um significado todo especial, além de eu poder compreender agora a alegoria barroca que Jorge Amado faz da relação ambígua de Flor com um Vadinho sem pudor e com o farmacêutico puritano que se torna seu segundo marido depois da morte de Vadinho. Flor, como todo mundo já sabe, não consegue escolher entre um e outro. Divide a cama com a alma mundana de Vadinho, que se recusa a deixar a esposa com quem tinha uma relação tórrida e com o corpo presente do marido com quem mantém um casamento enquadrado nos padrões de uma sociedade católica conservadora. Assim acomoda o sagrado matrimônio abençoado pela Igreja Católica com o a necessidade de saciar o desejo representada por Vadinho. Numa obra aparentemente simples, Jorge Amado, que seria meu vizinho se ainda vivesse entre nós na casa do Rio Vermelho, consegue tratar de um aspecto universal da condição humana. Escrevo tudo isso para lembrar que é preciso exercitar a paciência quando não conseguimos ter algumas respostas para nossas inquietações. Se não entendemos, é porque ainda não alcançamos o grau de compreensão necessário. Com o tempo, o próprio movimento da vida torna as coisas mais claras, para quem tem olhos para ver (e enxergar além de ver). 
Tambores da alma



Perguntei a meu amigo espanhol Gorka, radicado em Salvador, como tinha sido o choque de trocar Madri pela Bahia:
-Foi um “estupro energético”, respondeu ele.
Gorka se referia ao fato de ter sentido aqui uma energia poderosa, uma força meio que dispersa no ar, sem controle e difícil de descrever.
De fato, é preciso ser muito insensível para chegar a esta terra sem perceber que existe uma força diferente a circular. É o que a religiosidade africana chama de axé, a energia primordial. No ano passado, minha amiga Luiza, cearense radicada em Lisboa, me convidou a participar de um ritual chamado Águas de Oxalá, no Ilê Axé Opô Afonjá, dirigido pela ialorixá Mãe Stella de Oxossi, sumidade do candomblé e das primeiras vozes a condenar o sincretismo que identifica divindades africanas com santos católicos, herança de um tempo em que era tabu cultuar os orixás (para algumas camadas sociais ainda hoje é tabu). Para Mãe Stella essa história de que Iansã e Santa Bárbara são a mesma coisa é hipocrisia imposta pelos colonizadores que ficou latente, como uma pedra no sapato.
O ritual começou às nove da noite, quando recebi na cabeça um obi, uma noz-de-cola, o fruto sagrado do candomblé, amarrado com um torso branco pela iakekerê, uma espécie de segunda mãe do terreiro. Fui dormir. Às três da manhã, fui acordado para ir ao terreiro. No escuro, os alabês tocam tambores e os filhos de santo circulam fazendo circular também o axé. Depois, começa uma procissão. Em vasos de barro, as quartinhas, ajudei a levar água da fonte de Oxum, para uma tenda de folhas erguida em honra a Oxalá. Uma fila silenciosa de homens e mulheres de branco na madrugada. Aos primeiros raios de sol os tambores voltam a tocar, e os iniciados recebem Oxalá, o orixá da paz, em transes de incorporação. A manhã de setembro é o pano de fundo desta parte tocante (e arrepiante)da cerimônia. Não sou iniciado no candomblé. Não perguntei nada e ninguém me explicou nada. O valor e o benefício dessa experiência ficaram guardados em uma gaveta do ser que a razão não tem chave para abrir. Na foto de Pierre Verger, Mãe Senhora, matriarca do Opô Afonjá, da linhagem que gerou Mãe Stella
Mais do mesmo

Eu bem tenho tentado, mas não consigo voltar por muito tempo minha atenção para esta enxurrada de denúncias de corrupção que vem de Brasília. E acredito que esse misto de repulsa e desinteresse atinge muito mais gente do que se imagina. A sensação é de que todas as fichas foram apostadas e a banca ficou com todo o dinheiro mesmo e essas são as regras do jogo. Aliás, “ficar com todo o dinheiro mesmo” é uma atitude típica das cleptocracias africanas e sul-americanas que no Brasil ganhou as cores da legalidade. É o peso da pata do Leão fiscal, com seus dedos leves vasculhando nossos bolsos em busca de alimento para saciar a fome tecnocrata da incompetência administrativa. Lula foi eleito por ser símbolo de um projeto político de transformação, mas não tem sido timoneiro firme o suficiente para evitar que o barco siga à deriva, carregado pelos ventos do pragmatismo. Afinal, seguir na correnteza da lógica capitalista e comprar deputados é a solução mais cômoda, principalmente quando o porão do navio está abarrotado de dinheiro e vaidade que cega. João Paulo II, em seus últimos escritos alertava para o equívoco de se tomar a moderna democracia liberal como ápice da liberdade política. Sorrateiramente oculta por trás desse mito estaria a ditadura das grandes corporações, o despotismo concentrador do capitalismo financeiro. Assim como a dignidade dos políticos, as palavras também podem cair na lama e sujas e desgastadas, perderem o sentido. Jorge Luís Borges disse que  “a democracia é um abuso da estatística”. Certa feita entrevistei Aleida Guevara, filha de Che. Perguntei a ela como Fidel Castro, já no ocaso da vida, seria substituído no poder. Ela respondeu que o novo presidente seria eleito e que o mundo não conseguia entender que Cuba é uma democracia...ao modo cubano! E  assim seguimos aos tropeços, acreditando que a evolução coletiva dispensa as transformações individuais.

Aldeia global


Fazia tempo que eu queria saber o paradeiro de um grande amigo da adolescência. Junto com ele empreendi algumas buscas espirituais que me conduziram ao caminho que sigo hoje.  Já havia tentado pelo Google, o oráculo da Internet, digitando o nome deste meu amigo, "alexandre zaffari" e nunca obtendo resultado. Resolvi tentar de novo. Desta vez, não só descobri onde ele está como pude ver uma foto recente. O detalhe é que conheço também o autor da matéria, que acaba de deixar a BBC para ser repórter do SBT em Londres. O mundo é mesmo pequeno.

 

 

 

 

Olhos abertos e mente quieta


Os portoalegrenses costumam dizer que o pôr-do-sol mais bonito de mundo acontece quando a bola de fogo se esconde no horizonte e deixa um rastro dourado na águas do Guaíba. Uma amiga baiana me contou que em visita a Porto Alegre foi levada ao Gasômetro para presenciar o espetáculo. Achou bonito, mas nada espetacular, confessou, afinal vinha de Salvador onde o cair da tarde sobre o mar é sublime. Cá com meus botões penso que concursos de pôr-do-sol são como tentar escolher o filho preferido. Ontem mesmo, num quente domingo de inverno em Salvador, eu e Renata presenciamos um pôr-do-sol inefável, atrás do Farol da Barra. Tinha até platéia, como num anfiteatro da Natureza. Outro dia nos deparamos com um arco íris perfeito sobre o mar de Jaguaribe, prenunciando uma tempestade que deixou metade do céu lilás e metade azul, onde as nuvens não tinham chegado. Uma visão que durou pouco pois o aguaceiro não demorou a cair. O mundo é fabuloso e melhor visto com as lentes da mente quieta. Acima, um crepúsculo catalão, num momento em que o sol deu lugar á noite sobre Barcelona. O pôr do sol mais bonito do mundo é o do mundo.

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